sábado, 5 de abril de 2008

BALAIO DE SONHOS




Lá vai o menino com os pés descalços
Seguindo solitário o seu caminho
Cantando baixinho seu percalços
Cabelinho na testa, é um indiozinho.

Lá vai o indiozinho ao sol, pobrezinho
Levando ao lado o seu roto balaio
Coberto com aseado paninho
Cheio de sonhos de maio.

Lá vai o menino de olhos tristonhos
Cuidando de seu balaio roto
Alimentando-se dos seus recheados sonhos
Come um. Olha pra outro....

Lá vai o indiozinho seu sorriso é singelo
Seu rostinho redondo iluminado
Dizia o quanto é sincero
Tinha um semblante cansado.

Então chega o menino
Na margem do rio
Sentado no barranco, pesca sozinho.
Ao seu lado, o balaio vazio.

E pesca então o indiozinho
Todos os sonhos submersos
No fundo do Rio Diamantino
Sonhos, suspiros, gemidos, seu universo...

E Pesca o menino sem descanso
Seus sonhos pulam na relva molhada
Em direção ao remanso
Não tinha mais medo, não tinha mais nada.

Sorri agora o indiozinho
Pescador de novos sonhos
Com seu roto balaio cheinho
Ao lado o menino e os versos que componho...

RosanAzul

Um comentário:

Poemas e encantos disse...

Lindo, sereno e tocante.
um bju.