sábado, 22 de março de 2008

O BÊBADO E A DANÇARINA



Amanheço inerte, calada.
Ainda está escuro.
Eu, pálida, amassada, esticada,
Estou a esperá-lo angustiada.
Escuto longe um barulho....

As vezes ele chega de mansinho,
Passa por mim, dá uma olhada
Meu coração acelera, fico toda gelada
Com esse seu jeito todo metido.

Ele é assim, engraçado...
Tem dias que chega,
Mau me olha. Nem sequer me beija.
Passa por mim calado.

Nesses dias, surge outro e com duas mãos
me segura firme, me puxa
pra lá e pra cá, a seu gosto me enrola.
Algumas vezes até estupidamente joga-me ao chão.


Outras, sem pestanejar, simplismente
Me joga num monte em cima da cama. Me desnudo
Fico assustada e depois disso tudo
Numa encarada, me pega e água me oferece veemente.

Mas ainda não se dando por contente a seu jeito,
Me pega toda molhada
Fico sem graça, e ali mesmo parada
Me segura, me torce e retorce satisfeito....

Quando esse doido acaba todo esse ritual
Volto pra minha janela na espera eloquente
Desejando sedenta que ele chegue novamente
Com todo aquele seu instinto feróz, animal...

Ao longe já sinto-o chegando
E começo logo a tremer como claves em partitura
me debato, me contorso, estremeço, chego nas alturas
Fico em puro frenesí.... só dançando, dançando...

Mas o que ele gosta mesmo é de me observar calado
Quando a luz do sol me invade e me esquenta
Em sussuros ele começa... se aproxima... não aguenta
E me inebria com seu balanço em volúpia, o safado..

Somos dois apaixonados. Esse caso é nossa sina
Se estou feliz ou se lamento
você que determina
Porque ele é o vento
e eu Cortina.....

RosanAzul.

2 comentários:

AnjoAzul disse...

Daqui sopro com amor a cortina
para que tudo de mau se desprenda dela (a cortina)e que fique limpa
para que a inspiração seja de puro amor

ANJOAZUL

Mariana disse...

Adorei essa, muito inteligente!

Parabéns!