sábado, 30 de agosto de 2008

SERÁ SEMPRE PRIMAVERA



RosanAzul

Para Minha Mãe

Abrem-se os “Olhos de Boneca”...
No ar suavemente já baila
O perfume da primavera.
Árvores vestem-se de amarelo.
Azaléias coloridas
Em jardins tradicionais.

Os manacás
Já estão cobrindo-se de flores.
Estrelícias exóticas
Fazem a diferença em verdes gramados...

Vejo ao meu lado
Cachos de Jasmim,
Que correm por uma cerca
Debruçando-se sobre
“Coroas de Cristo”.
Flores e espinhos...
Cada um em sua função
E juntos, harmonizam-se
Cumprindo cada qual sua missão.

Sob a minha cabeça,
Na copa de Uma árvore
Com suas folhas secas
Canta prazeiroso
Um Bem Ti Vi

Chora meu coração
Ao ver quase fechados
Os olhos da flor que me deu a vida
Mas minh’alma está tranquila
Em saber que ela despertará
Num Jardim Bem Maior
Onde sempre é Primavera...

FPOLIS
Agosto/30-2008

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

AMOR AZUL



RosanAzul

Amanhece o dia
Vestido de festa,
De azul para a Rosa...
Amareleceram os ipês
Que imponentes,
Colocam-se enfileirados,
Em abre alas
Nas avenidas douradas...

Outros ainda maiores
Ousados,
Rosados,
Talvez cansados,
Estampam calçadas...
Flores coloridas esvoaçam
Da copa das árvores
E flutuam nas ruas
Como neve colorida...
Aquarelando a cidade
Curitiba...

Queria tocar o céu
Nesse momento.
Comemorando a vida.
E toco.
Apenas com uma ponta de pena,
Por não te sentir como eu queria.
Por ter meus pensamentos
Levados na ventania
Que te abraçam na saudade colorida
Nas ruas da cidade
No inverno que cheira a suavidade da Primavera
Minh`alma embargada de emoção
Guarda o nosso amor Azul
Para todas as estações...

Florianópolis
Agosto/25/2008

domingo, 24 de agosto de 2008

PEREGRINANDO



numa noite descobri-me um peregrino

palmilhando o destino como estrada

aonde iam como eu mais viageiros

semeando os seus sonhos pelo nada

e fazendo mil desenhos na poeira

que os pés levantavam em suas passadas...

seu grafismo granulado ia formando

velhas formas na lembrança despertadas

de instantes infinitos de alegria

de momentos lacerados de tristeza

de minutos carregados de agonia

de repentes milagrosos da beleza

bem no fundo de meu peito germinada...

num segundo todo o medo se esvaía

e no outro me prendia com suas presas

ora a dor de uma saudade me engolia

ora o espanto da surpresa aparecia

ora a vida me lotava de energia

ora a vida me enchia de fraqueza...

se por vezes a coragem era minha guia

outras vezes minha guia era a incerteza...

foi assim pelo meu percurso inteiro

foi assim por toda minha caminhada...

esta é a meta desse humano desafio

a razão da existência nos ser dada:

temperar nossa alma a fogo e a frio

e fazer de cada passo uma chegada...


Hugo Leal

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

DECRETOS DA CHAMA VIOLETA





Chama Violeta Chama Violeta Chama Violeta

Desce do Grande Sol Central e purifica

Todas as vibrações densas que envolvem o grupo.

EU SOU EU SOU EU SOU

3 vezes o todo


Chama Violeta Chama Violeta Chama Violeta

Desce, desce, desce

Purifica e fortalece os laços de amor desta corrente de Luz

EU SOU EU SOU EU SOU

3 vezes o todo


Chama Violeta Chama Violeta Chama Violeta

Flamejai, flamejai, flamejai

Transmutai, transmutai, transmutai

Toda energia densa e negativa

Em Amor, Luz e Evolução.

3 vezes o todo



Chama Violeta do Grande Sol Central

Chama Violeta do Grande Sol Central

Chama Violeta do Grande Sol Central

Desce em meu coração,

Desce em minha alma,

Desce em meus pensamentos,

Em minha aura desce,

Desce, desce, desce

3 vezes o todo



Eu peço e comando que este apelo

seja atendido com a rapidez do relâmpago

pela Luz do Grande Sol Central.

Colaboração: Walkyria Garcia.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

ALMAS PERFUMADAS



(Ana Jácomo ana.saldanha@terra.com.br )
Para minha vó Edith


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende a ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Minha avó era alguém assim. Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. A minha, foi uma delas. E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

NOITE DE LUA CHEIA / NOITE PARA AMAR...





Ao querido Amigo e Poeta Silvanio, minha gratidão pela parceria neste Dueto!


É em noite de lua cheia
QUANDO NO CÉU MAJESTOSA O MAR CLAREIA,
Que meu coração pulsa mais forte
QUERENDO ACHAR TEU NORTE E ASSIM
O amor se revela nos raios cor de prata
ESSE AMOR DE CÉU E DE MAR...
E como flexas trazem para alma a sorte
EM ANSEIOS DE ALMAS SOLITÁRIAS
De encontrar um amor lindo como sereia
MÁGICO E ENVOLVENTE,
Que canta e encanta os navegantes
NAVEGANDO AS ONDAS DA ESPERANÇA
Eles se perdem em mares misteriosos da ilusão
NO SUSSURRO E NO GEMIDO DA NOITE.
E o céu, repleto de estrelas cintilantes,
COBRE COM CARINHO MEU AMOR.
Mostra o caminho invisível da paixão
AQUELE QUE FAZ REVIVER
Que domina o meu ser e amar como antes
NAVEGAR NO MAR DESTE AMOR É PRECISO,
É o destino de um coração apaixonado
QUE SOMENTE QUER SER AMADO
Que encontra o sua alma gêmea sob a luz da lua
EM SEU PRÓPRIO REFLEXO.
Nesse encontro de magia, o amor se faz presente
NUMA CANTIGA QUE SÓ QUEM AMA CONHECE!
Enquanto céus e terra cantam, os astros dançam
EM COMEMORAÇÃO.
Felizes porque o amor é mais belo sob a luz da lua!
EM UMA NOITE FEITA PARA AMAR...


Silvanio Alves E RosanAzul

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

FAZER AMOR É PISAR NA ETERNIDADE!!!





Fazer amor é coisa séria demais...
Não basta um corpo e outro corpo, misturados num desejo insosso, desses que dão feito fome trivial, nascida da gula descuidada, aplacada sem zelo, sem composturas, sem respeito, atendendo exclusivamente a voracidade
do apetite.

Fazer amor é percorrer as trilhas da alma, uma alma tateando outra alma, desvendando véus, descobrindo profundezas, penetrando nos escondidos, sem pressa com delicadeza... porque alma tem tessitura de cristal, deve ser tocada nas levezas, apalpada com amaciamentos...até que o corpo descubra cada uma das suas funções.

Quando a descoberta acontece é que o ato de amor começa.
As mãos deslizam sobre as curvas, como se tocando nuvens, a boca vai acordando e retirando gostos, provando os sabores, bebendo a seiva que jorra das nascentes escorrendo em dons, é o côncavo e o convexo em amorosa conjunção.

Fazer amor é Ressurreição !!!
É nascer de novo: no abraço
que aperta sem sufocamentos no beijo que cala a sede gritante,
na escalada dos degraus celestiais que levam ao gozo.

Vale chorar, vale gemer...vale gritar, porque aí já se chegou ao paraíso, e qualquer som ha de sair melódico e afinado, seja grave, agudo, pianinho... há de ser sempre o acorde faltante quando amantes iniciam o milagre do encontro.
Corpos se ajustaram, almas matizaram...Fez-se o Êxtase! É o instante da Paz... é a escritura da serenidade!
E os amantes em assunção pisam eternidades !!!

(Texto de um Frei do Colégio Santo Agostinho)

domingo, 17 de agosto de 2008

13 LINHAS PARA SE VIVER


13 LINHAS PARA VIVER
(GABRIEL GARCÍA MARQUEZ)

1) Amo-te não por quem tu és, mas por quem sou quando estou contigo.

2) Nenhuma pessoa merece tuas lágrimas e quem as merece não te fará chorar.

3) Só porque alguém não te ama como tu desejas, não significa que não te ame com todo o seu ser.

4) Um verdadeiro amigo é quem te pega a mão e te toca o coração.

5) A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca o poderá ter.

6) Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estás triste porque nunca sabes quem poderá enamorar-se do teu sorriso.

7) Podes ser somente uma pessoa para o mundo, mas para alguma pessoa tu és o mundo.

8) Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo.

9) Quem sabe Deus queira que conheças muita gente enganada antes que conheças a pessoa adequada para que, quando no fim a conheças, saibas estar agradecido.

10) Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.

11) Sempre haverá gente que te irá magoar. Assim, o que tens de fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem confias duas vezes.

12) Converte-te em uma pessoa melhor e assegura-te de saber quem és antes de conhecer mais alguém e esperar que essa pessoa saiba quem és.

13) Não te esforces tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperas.

Tudo o que acontece, sucede por alguma razão...

sábado, 16 de agosto de 2008

COLIBRÍ





COLIBRÍ
RosanAzul

De todas as minhas primaveras
A mais doce e feliz
Foi comemorada nas asas de um colibrí....

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A VIDA E SEUS MECANISMOS


agradecendo ao amigo Max pelas palavras!
Assunto: a vida e seus mecanismo

Mensagem:

Em todos os aspectos, a humanidade sempre cresceu questionando.
Somos seres condicionados à essa busca constante pelo aprimoramento das coisas, sejam elas morais ou intelectuais.
A grandeza da vida se resume basicamente nisso...na simplicidade da vida. Viver é aprimorar sentimentos, é buscar nas coisas simples uma sintonia com o universo, que é todo harmonia.
Somos individualidades que formamos um todo coletivo que se aprimora com o tempo, mas somos individualidades que buscamos o progresso nos sentimentos, na educação dos sentidos para o entendimento racional da vida.
Os versos que colocamos no papel, podem dar vazão aos sentimentos mais profundos da alma, mas que um dia já foram um retrato fiel da nossa personalidade.
Queiramos ou não, um gigantesco manancial de conhecimentos adquiridos permanece adormecido em nós, que podem manifestar através da pena, a capacidade que temos de pensar e agir.
Somos destinados à pefeiçao, através do aprimoramento dos sentimentos.
E o homem no mundo que não conhecer seus sentimentos e diagnosticá-los dentro de sí,poderá estar estacinando no imediatismo ou no materialismo.
Portanto, ter a sutileza dos versos na ponta de uma pena, já denota sensibilidade na alma.
Você escreve muito bem.
Max.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

PENSAMENTOS AO VENTO...


PENSAMENTOS AO VENTO
RosanAzul

Noite fria,
Chuva fina.
O vento sul sopra forte em uivos e gemidos...
O mensageiro
Do lado de fora da minha janela
Faz-me lembrar
De alguém que me espera...
Na solitude de noites e noites sem fim
Nas manhãs que não choram,
Permitindo que eu veja o céu mais azul.

Então te sinto,
No calor do sol que me aquece,
E me esqueço
Do tempo/espaço que nos separa
E ao mesmo tempo nos fortalece, nos uni.

Sinto teus braços
Ainda que imaginários
Tão reais,
Posso sentí-los,
Me abraçando, me envolvendo
No êxtase do abraço eterno...

Permitindo que meu romantismo floresça
Através das linhas,
Minhas companheiras.
Guiando-me pelas letras
Que se agrupam e se organizam
Flutuando em meus pensamentos
Respingando no papel...

Embarco numa viagem
Puramente emocional
Com destino ao teu coração.
Atravesso todas as pontes que nos separam
E como um cateter
Chego,
Desobstruindo as entranhas
Diluindo a saudade
Que invade
O nosso ser.

E nessa viagem alada,
Sustentada nas asas de meu grande amor
Veste-se minh’alma
De azul do céu espaço...
E te abrigo,
Sob minhas asas imaginárias
desmanchando a solidão,
Te fazendo carinho de menina
Excitando a vida...

E se me faço menina,
É para que te sintas também um menino
E como tal,
Te permitas amar em plenitude
Como é na verdade teu ser:
Pleno.

Nos entremeios de idas e vindas
Encontros e desencontros
Quando a vida nos permite ficar
De forma efetivamente bela e plena
Vivemos a intensidade dos momentos,
Onde se tece nosso amor,
Formando as teias
Que nos liga ao eterno,
Percorremos os labirintos
Deslizando em sedas e aromas
Na luminosidade da luz
Da lua...

E dentro da sabedoria que nos é dada,
Nada ainda sabemos
do que somos
E do que ainda poderemos ser,
Pois a vida,
Está sempre mudando as respostas...

Mas, o amor em plenitude
É ser um com Deus.
Então, nada mais importa.
E quando tenho
Alguns minutos contigo
Tenho toda a eternidade
Em pura magia e encantamento
Do que o meu ser
Sabe ser
Amor e doação...

Fpolis,agosto/13/2008
22:22

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

DUALIDADE II


Vivo uma felicidade
Embutida na tristeza
Do que eu não tinha
Mas que agora tenho.
Do que tanto esperava e que chegou.
Do que eu já tinha sem saber
E a dor transformou.
Do que estava distante
E se aproximou.
Do que estava separado e se uniu.
Fusão de dor e sentimentos
Mesclam meus dias de inverno
Em manhãs azuis
E tardes molhadas e gris.

Minha felicidade
Por vezes mergulha na tristeza
E as duas entram em duelo
Onde não existe, perdedor e vencedor
Elas apenas confraternizam-se
E permitem que eu
Continue na temperança
Com esperança
Em longos dias de espera...
RosanAzul

Fpolis
Em 10 de agosto/2008

terça-feira, 12 de agosto de 2008

ACALANTO


Imagem: Artista Plástico Tulio Dias - Acalanto -

ACALANTO
RosanAzul

Hoje eu quero um colo.
Um aconchego,
Um acalanto.
Sem lamentos.

Só um colo,
Silencioso...
Que escute calado
Meu choro mudo
Para que eu
Adormeça
Como um pássaro
Embora que abandonada no ninho.
Mas que amanhã
Eu desperte
Refeita
Em meio
Aos fiapos Azuis...

Fpolis
agosto, 11/2008

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

PROCURA


Hoje te procurei
Nos braços do vento
No silêncio e na calmaria da manhã.
Ele se calou.
Na boca da noite me recolhi,
Embalada apenas pelos braços imaginários
Do Eterno
Pai
Que nunca me abandona....
agosto/10/2008
RosanAzul

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

PARA MINHA MÃE


A vida colocou a guerreira
Num terrível campo de batalha.
Numa guerra fria e cinzenta,
Onde somente Deus pode vencer
O inimigo "maligno"...
Limito-me então, a fazer
A vontade Dele,
Aceitando que Ele está e
Sempre estará no comando de
Tudo.
Eu, apenas sou sua guerreira,
E faço o melhor que posso,
Dando todo o meu Amor nessa
Batalha.......
TE Amo Mãe......
RosanAzul
07/08

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

ENTRE A MAGIA E O VIRTUAL (85)




E quando a rainha finalmente rebaixou para profana a dançarina sagrada, a terra tremeu para as que, como ela, precisavam de benção para os movimentos do corpo, pois não sabiam ainda que a percepção da alma se conquista de vários modos, incluindo o sexo, e que a sensualidade não era erro nem pecado, apenas situação inevitável de quem não encontrou uma forma de somar sem recusar o sonho de fazê-lo por escolha, não pela angústia do vazio ou expectativa dos outros.



Os fatos da vida são assim, aprisionados na invisibilidade cruel dos preconceitos, que saltitam em todos os poros de nossa memória, dirigindo os rumos do instante para o nada que coíbe a disposição para o abraço e, é claro, para o medo, circunspeto e circunciso, de não representar o que alguém espera do momento de nossa entrega, que, portanto não ocorre, dando ao ato apenas o sabor indefinido de algo que podia ter sido e não foi, envolto na probabilidade de nunca ser, por jamais desnudo, mais que isso - sombra de uma hipótese que se desvanece para sempre -, negando haver em si qualquer noção de eternidade.



E a quem não vê por manter fechados os olhos, a escuridão passa a ser trevas e a luz da existência, clara ao ponto de mostrar-se óbvia, se torna um mistério guardado por abstratos dragões imaginários, porém ferozes, principalmente para os que optaram pelo ilusório e adotaram somente a parte injuriosa da lenda, esquecendo que, no mito, os corações deles, titãs voadores, não eram casa para o pavor, mas sim do segredo da cura – o calor do amor efetivando, sobre o ódio, todo poder do fogo da transformação, vívido na respiração do mundo.



Aqui, na encruzilhada natural dos caminhos, viajeiros demais fazem paradas, menos para repouso e mais para lucidificar o instinto, selecionando entre as alternativas a que possa dar continuidade ao processo de evolução de cada um, garantindo maior leveza na bagagem quando for para escalar, sem chance de retorno, as escarpas de si mesmo, chegando ao cume e presenciando, do outro lado, o próprio auto-retrato despido de mentiras e capaz, se necessário, de declamar o poema gravado no seu peito com voz firme e sensibilidade de intérprete.



Será assim que os Senhores do Acaso ouvirão, finalmente, uma versão pessoal de seu destino, temperada por sua coragem, alegria, definição e decisão de construir uma rota com a sua caligrafia, dando às Nornes um estilo na tecelagem, mensuração e corte da estrutura quântica da vida, utilizando o princípio da incerteza para lhe dar uma chance permanente de ser, ao mesmo tempo, uma explicação do inexplicável e um dar de ombros, singelo e sincero, que diga sem palavras o tamanho relativo do Todo, independente de tudo.



Como equacionar a extrema fragilidade das respostas, que desconhecem a circunstância, lisura e astúcia do Incriado na apresentação do jogo de perguntas?



É provável que, enfim, números irreais se manifestem em conjunto, formatando hipóteses que percorrerão como uma onda de energia todas as chances pensadas – pesadas - pelo ser e pelo não ser nas esquinas cósmicas onde a mente vagueia e incendeia todas as probabilidades, de menor e maior esforço, que cercam nas dimensões cada mícron em que se insere a vida, no aguardo de um sim da consciência para nos ocupar a percepção e mente.



E o que tem com isso minha paixão por ela, ou a dela dirigida a mim, onde a agonia e a pressa estão pedindo, já, a satisfação de todos os desejos de uma e do outro – talvez, até, de um eu que não seja aquele que atua agora -, sem conhecer meandros ou mecanismos, sólidos ou diáfanos, que expliquem um Onde-Quando-Como inadmissível frente à exigência de um resultado imediato?



E eis aí mais uma indagação premiada com o silêncio, não por sua complexidade intelectual ou lição profunda, mas simplesmente porque não vale a pena debater o que não importa absolutamente para o Todo, mesmo que o inseto barulhento seja um homem com as roupagens que julga ser de sabedoria, mas que salientam unicamente a ignorância e o egolatrismo de paraplégicos emocionais que não compreendem, por falta de discernimento e paralisia total dos sentimentos, que posição ocupam no inventivo universo do Criador, e demonstram igual incompetência para saberem porque, no frigir dos ovos, são só mediocridade e destruição numa realidade em que a sofisticação, firmeza e refinamento do amor apresentam uma certeza matemática de serem meta, essência e dinamismo do planeta, das espécies e de tudo que nos cerca, há e se permite haver.



As coisas são o que são, e não o que pretendemos que sejam, e nossa pretensa semelhança com o Pai, considerando o modo de agir dos companheiros de aventura, está muito mais para o anedotário do que para dedicatória em livros de oração.



Isso quer dizer que nossa própria noção do que é amor, solidariedade e compaixão é uma piada grosseira, eivada de condições, individualismos, interesses grupais e também – por que não? – desta esfacelada ingenuidade fundamentada não na inocência, mas na cretinice, onde a alma, obviamente prejudicada pelos incontáveis desajustes de seu aparelho perceptivo – quase todos por desconhecermos quais botões existem na máquina e para que servem - esboça toscos desenhos infantis para tentar esclarecer quem é o que quer, para no final desistir e espetar, com estrondo, um sorvete na testa do espírito, pouco se lixando, de tanto desalento, se o ectoplasma empregado na operação tem de fato procedência paraguaia.



E no meio disso tudo a dançarina, ungida em seu hoje de profana, não percebe que agora está sagrada como nunca, e que os contatos feitos como fêmea enamorada são conceitos espirituais muito mais fortes do que os mistérios protegidos pelos rituais que dependem de um enlevo especial, uma expressão censurada do que está atrás do arcabouço dos arquétipos, e que o planejamento matou nela a riqueza da impureza básica da procura humana, tigrina e lebre que se caçam uma a outra, sem ligar aos paradoxos, e vivenciam, experimentando seus inversos, o que são as cordas ultra-dimensionais que seguram o circo.



Enquanto isso, passeando entre a magia e o virtual da minha dúvida, capto dentro dela a semente de meu amanhã, aprendendo o que é ser hoje para me dar, desabrochando, um novo dia integralmente.



Hugo Leal

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O GRITO PRESO




o grito preso de um poema nunca escrito

teima em assombrar o alvorecer dos meus poemas...

algo a dizer que só tem sentido se não dito,

algo sagrado com vivência de maldito,

algo profundo que se perde de tão raso...

e minha alma, como presa por raízes

arrasta as pernas cobertas de varizes

para ensaiar dar um passo nunca dado.

mas nada sai, nada anda, só se esvai

como que se o esforço realizado

fosse esforço ou tão pouco ou tão demais

que a luz que traz para explorar meu lado escuro

sempre chega muito cedo ou com atraso.

assim o meu segredo, amedrontado

se esconde no espelho do futuro

aguardando outra vez ser desvendado

e o poema, a tentar pular o muro

para ver o que existe do outro lado

vê apenas vislumbres de um tormento

que parece ter feito um juramento

de só se deixar ver se mascarado.

insistente, vou além e me aventuro

a voar no meu inferno disfarçado

de ódio, medo, inveja, orgulho e outros entulhos.

me queimo neles, morro um pouco em seus caminhos

e quando vejo me percebo tão sozinho

como pode quem de si acompanhado.

olho em torno e sinto então uma presença

que vem de dentro, lá do centro, como um mito

vestido de um silêncio atordoado.

e sem saber por que, sei que o grito

que nunca dei porque sou eu sendo gritado

é apenas minha centelha de infinito

tentando retornar ao Incriado.





Hugo Leal